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Greenpeace bloqueia navio com madeira ilegal da Amazónia
Organização ambientalista acusa a UE de co-responsabilidade pela destruição da maior mancha verde da Terra
Data: 17-03-2008
A Greenpeace bloqueou hoje, na França, um navio proveniente do Brasil carregado de madeira de origem ilegal e acusou a União Europeia de ser co-responsável pela destruição da Amazónia, segundo comunicado divulgado pela organização ambientalista.
"A União Europeia é o maior importador de madeira amazónica do mundo e não possui um sistema de verificação de origem do produto, permitindo que empresas que actuam de forma clandestina e com madeira vinda de desflorestação abasteçam o seu mercado com madeira ilegal. Isso torna os países europeus co-responsáveis pela destruição da Amazónia", refere o documento da Greenpeace.
Na nota, a organização ambientalista informa que cinco activistas da Alemanha, Inglaterra, Itália e Chile abordaram o navio cargueiro Galina III, que descarregaria a madeira no porto de Caen, e permanecem a bordo da embarcação.
De acordo com um relatório do Greenpeace hoje divulgado, 80% da madeira explorada na região Amazónica são produzidos de forma ilegal.
"O governo Lula (da Silva) assumiu que pelo menos 63% da produção anual - 40 milhões de metros cúbicos - sejam ilegais. Porém, há madeira que sai dos portos brasileiros totalmente ilegalizada graças às falhas no sistema de controlo", diz o relatório.
"As empresas importadoras europeias, por sua vez, justificam que compram madeira com documentos legais quando, na realidade, estão financiando a exploração ilegal", acrescenta o estudo.
A Greenpeace defende que a União Europeia adopte uma nova e rigorosa legislação florestal para impedir a entrada de madeira ilegal e predatória no mercado europeu.
Segundo os ambientalistas, a destruição das florestas tropicais é responsável por cerca de um quinto das emissões globais de gases de efeito estufa, mais do que todo o sector de transportes em todo o mundo.
A Amazónia brasileira já perdeu nos últimos 40 anos 700 mil quilómetros quadrados da sua cobertura florestal original, uma área duas vezes e meia maior que o Estado de São Paulo.
Lusa

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