















|
 |
|
Transporte fluvial na Amazônia está um caos e exige solução imediata
O transporte fluvial na Amazônia representa hoje um desafio das mesmas dimensões de outros problemas apresentados pela região, requerendo do governo soluções de emergência que possam contribuir para o bem estar dos milhões de ribeirinhos que necessitam dos rios diariamente para trabalhar, estudar e obter tratamento de saúde adequado.
Segundo dados da Marinha do Brasil, cerca de cinco milhões de passageiros usam mensalmente o transporte coletivo fluvial na Amazônia Oriental e Ocidental, que englobam os estados do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Amapá. Por lei, cabe à Marinha fazer a fiscalização das cerca de 120 mil embarcações que navegam na região.
Mas assim como ocorre com o desmatamento, com o governo tendo infra-estrutura insuficiente para combatê-lo na maioria dos estados da região, as capitanias dos portos não têm pessoal nem equipamento suficientes para fiscalizarem o transporte fluvial da região. Os dados oficiais apontam que há apenas 197 pessoas atuando na fiscalização de todo esse superlativo fluvial da região.
A fiscalização inadequada, aliada ao tráfego intenso, à falta de sinalização nos rios para orientar a navegação e à idade avançada da frota de barcos feitos de madeira, acabam por gerar inúmeros desastres na região, culminando com a ocorrência de vários acidentes com vítimas fatais. No ano passado, ocorreram 123 acidentes com vítimas, sendo a maioria de barcos de passageiros que naufragaram por causa de excesso de passageiros e de colisão com outros embarcações.
O último acidente fatal ocorreu no final em 21 de fevereiro passado, quando morreram 16 passageiros do barco Almirante Monteiro, que colidiu no rio Amazonas com uma balsa de combustível que vinha na direção oposta e naufragou junto com seus 110 passageiros.
A deficiência da fiscalização no transporte fluvial da região é reconhecida pelos próprios oficiais da Marinha encarregados do trabalho nos rios do Amazonas. Logo após o acidente com o barco Almirante Monteiro, o primeiro-tenente Olavo Guimarães, da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental reconheceu que o principal problema na região é a alta intensidade do tráfego de embarcações entre as principais cidades e a ausência de sinalização nos rios para orientar a navegação.
?Se houvesse algum tipo de orientação, o acidente no rio Amazonas envolvendo o barco Almirante Monteiro poderia ter sido evitado?, disse o primeiro-tenente, que fiscaliza um setor onde os rios funcionam como asfalto e os barcos de passageiros assumem o papel dos ônibus. Em 1981, um barco afundou no Amapá e mais de 400 pessoas morreram.
Toda essa fragilidade do transporte fluvial na Amazônia será discutida em audiência pública que ocorrerá no dia 27 deste mês de março na Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados. ?Quando um passageiro embarca, ele só conta com a ajuda de Deus. Só quem conhece a região sabe o quanto é arriscado navegar nos rios da Amazônia?, alertou o deputado Carlos Souza (PP-AM), autor do requerimento da audiência pública.
(Fonte: KaxiANA - Brasília,DF)

|
|
|
|