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Riquezas amazônicas

Em 1955, a descoberta do poço petrolífero de Nova Olinda, na Amazônia, teve importância histórica na vida da Petrobras. Na época a campanha promovida para desacreditar a empresa, enfatizando a inexistência de petróleo no Brasil, era massacrante. Nova Olinda revelou-se uma reserva limitada e economicamente inviável. Sua importância foi fixar um paradigma demonstrativo da existência potencial do “ouro negro” em terras brasileiras. No ano seguinte, com a posse de Juscelino Kubistchek na presidência da República e a nomeação do coronel Janary Nunes na direção da Petrobras, os investimentos na área petrolífera se intensificaram. Inclusive na região amazônica.

Hoje, no coração da selva, a 650 quilômetros de Manaus, a chamada bacia do Solimões, integrada por 80 poços produtivos, é uma realidade econômica inquestionável. É a terceira maior reserva de gás do País, inferior apenas as bacias de Campos e Santos. Na área de Urucu e o rio Coari, a produção de óleo tem enorme potencial. Ali se produzem 55 mil barris/dia de um produto ultraleve, que pode ser chamado de gasolina natural. Pelo fato de poder movimentar motores, antes mesmo de ser processado. Na produção de gás natural atinge-se 10 milhões de metros cúbicos por dia. Estima-se a existência, numa primeira fase, de 100 bilhões de metros cúbicos na região de Urucu.

Em 1993, em nome da empresa, ao lado dos técnicos da área, fiz palestra para o estado maior do Comando Militar da Amazônia, onde enfatizava a necessidade de uma presença maior das Forças Armadas na região. Destacava que a Petrobras era obrigada a reinjetar milhões de metros cúbicos de gás nos poços, por impossibilidade de vender aos mercados consumidores. As resistências ambientais em conceder licenças para a construção inicialmente de dois gasodutos que atingissem Manaus e Porto Velho, prevaleceu por mais de década. O que obrigou a Petrobras a montar na selva amazônica a maior produção brasileira de GLP (gás de cozinha) envasado na unidade de Coari. Produção destinada e comercializada nas regiões norte e nordeste.

A luta da Petrobras, nos últimos 15 anos, para a construção de gasoduto Urucu-Coari-Manaus, com 662 quilômetros de extensão, após investimento de R$ 2 bilhões, ao final de 2008, se transformará em realidade. Com o término da obra, o gás natural da bacia do Solimões mudará a matriz energética regional, hoje dependente do óleo diesel e do óleo combustível. Os ganhos econômicos e ambientais para a região serão notáveis e representarão um escoamento de 5,5 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

A rigor, as fantásticas riquezas da Amazônia brasileira extrapolam, em velocidade aerodinâmica, a vertente petrolífera. A sua área geográfica equivale à soma dos territórios da Alemanha, Espanha, Portugal e Bélgica. Recentemente recebi estudo do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, por título “Amazônia cobiçada e ameaçada.” O seu autor é o general Durval de Andrade Nery (primo do jornalista Sebastião Nery). Nele, o competente e estudioso militar, didaticamente, oferece grande lição para o poder nacional não ser um mero expectador do que vem acontecendo naquela região. Pela sua importância, transcreverei alguns trechos do alerta do general Durval de Andrade Nery:

1. “Os dados disponíveis comprovam a vocação mineral da Amazônia. Já foram localizados cinturões de rochas verdes nos quadro cantos da região. Essas seqüências fornecem pistas seguras sobre a presença de ouro nas rochas mais antigas do continente sul americano: 2 milhões de quilômetros quadrados e formadas por 200 chaminés vulcânicas”;

2. “Calculou-se, em 1996, que se poderiam extrair de depósitos secundários mais de 15 mil toneladas de ouro puro, que na época valiam US$ 200 bilhões, equivaliam a 32% das reservas medidas do planeta”;

3. “Só agora começaram a aparecer os depósitos primários do metal, localizados pela Vale na província mineral de Carajás. Mais recentemente, a Anglo American, mineradora sul-africana, encontrou grande depósito primário no Amapá, nas vizinhanças da Serra do Navio, onde o grupo Antunes, teste de ferro de empresas norte-americanas e japonesas, esgotou uma grande jazida de manganês que, no futuro, poderá fazer falta ao Brasil”;

4. “A margem esquerda do Amazonas, do rio Negro até o Jarí, revelou-se o maior depósito de casiterita do País. As rochas das minas de Pitinga são também hospedeiras de ouro, nióbio, tântalo, zircônio, ítrio e criolita, flúor usado como fundente na eletrólise do alumínio”;

5. “As chaminés vulcânicas dos escudos amazônicos são mais de 200. Só três foram submetidos a pesquisa. O morro dos Sete Lagos, no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, é o maior depósito de nióbio do mundo e, ainda com óxidos e carbonatos de ferro, manganês, titânio, apatita, barita, fluorita, wolframita e minerais radioativos”;

6. “Outras duas chaminés, localizadas no Baixo Amazonas setentrional, guardam mais de 2 bilhões de toneladas de anatásio e minério de titânio. Somadas essas reservas com as localizadas em Tapira (Minas Gerais) e Catalão (Goiás), que totalizam 1 bilhão de toneladas, o Brasil despontaria na liderança dos detentores de titânio”;

7. “Os escudos da Amazônia encerram a quarta maior reserva de cassiterita do planeta, a quinta de minério de ferro, além de quantidades apreciáveis de chumbo, cobre, cromo, diamante, lítio, manganês, molibdênio, pedras preciosas, prata, tântalo, tungstênio, zinco, zircônio e minerais radioativos, particularmente o tório”.

Pulmão do mundo, equilíbrio ecológico da humanidade, santuário da biodiversidade, a Amazônia brasileira é tudo isso. E muito mais: é terra cobiçada internacionalmente pela bilionária riqueza que está embaixo do chão. A timidez, de diferentes governos brasileiros, na defesa da região, é uma agressão à soberania nacional. É imperativa e fixação nas áreas de expressivos efetivos das Forças Armadas com seu pessoal de terra, água e ar que impeça o enfraquecimento do poder nacional. É fundamental integrar, para não entregar a Amazônia.

Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi deputado federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

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